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Tricô esquisito?! Nunca mais!

 

Sei que muita gente só visita os inúmeros blogs existentes na rede mundial em busca de receitas, mas às vezes a receita linda que você gostou só é apresentada num manequim pequeno ou grande demais para você (o que não é o caso da maioria das minhas receitas que são apresentadas em vários manequins).


E aí começa o drama do tece e desmancha, tece desmancha. E isso poderia ser perfeitamente evitado se a tricoteira-arteira fizesse um esforço tricotístico mínimo e encarasse com boa vontade a matemática básica e o tricô.


Como toda arte, o tricô tem certas máximas que quando seguidas podem significar a materialização de um projeto bonito, usável e que certamente vai encher você de orgulho. Mas se estas regras são deixadas de lado, seu lindo tricô pode se transformar num “Tricossouro Vulgaris”, mais conhecido como tricô esquisito. 


Independentemente do seu grau de conhecimento técnico do assunto, antes de pensar num projeto novo vale a pena investir seu tempo para aprender coisas novas e rever velhos conceitos. Não vou entrar no mérito da "Moda Tricô" mas me ater às técnicas e outras 'coisinhas' ligadas às receitas das nossas artes tricotísticas.


Já ouvi uma dezenas de vezes tricoteiras-arteiras reclamando que este ou aquele modelo tecido com aquele fio maravilhoso ficou esquisito depois de pronto.
E o que afinal é esse 'esquisito'? O que deu errado na sua criação? Será que a receita estava errada? Será que você cometeu algum engano suprimindo etapas da receita só para ir mais depressa? Ai quantas dúvidas!


Então sem mais delongas vamos responder honestamente as perguntas a seguir e descobrir qual o mistério do modelito 'esquisito no corpo'.


Antes de iniciar a receita você viu qual era o manequim proposto para a peça? Você teceu uma amostra com o ponto conforme sugerido na receita ou simplesmente pulou esta etapa e já saiu tecendo freneticamente? O fio que você usou é exatamente o mesmo fio que aparece como indicado na sua receita?


Agora que você já respondeu às perguntas-chaves, vamos entender o que cada uma delas significa de fato.

 

Qual é o seu manequim afinal 38, 42, 48, 50???? Ora bolas, afinal o que são esses números que aparecem nas nossas roupas e nas nossas santas e sagradas receitas?


A grosso modo esses números indicam a medida em polegadas do diâmetro de alguma parte do seu corpo. No caso busto, cintura e quadril (para blusas e casacos mais longos), cintura e quadril para saias, calças e outros. A medida que prevalece é aquela mais importante. No caso da blusa ou casaco com comprimentos normais 10 a 15 centímetros abaixo da linha da cintura.

 

Nas receitas de tricô, as medidas que aparecem junto a representação gráfica da receita incluem um percentual de folga que não é explicitado. Então, você não sabe exatamente qual é a ideia da modelagem em si, justa, normal ou folgada. Ao comparar suas medidas às medidas apresentadas nas receitas lembre-se que as receitas trazem uma folga embutida.


Se sua medida de busto é 86 cm a metade dessa medida é 43 cm. Se a receita escolhida apresentar medidas 1 cm maior ou menor do que 43 cm, certamente o tricô irá lhe servir.

 

Já sei que você está revoltada comigo por ter dado um exemplo de manequim pequeno. Afinal hoje o mundo é de 'gente grande e mortal' e ser pequeno é ser exceção.
Conheço várias arteiras que perderam literalmente vários novelos de fios carésimos por causa de um quadradinho de 10 cm tecido em tricô ou crochê conhecido como amostra.

 

Todo mundo que faz tricô já deve ter lido ao menos uma vez na vida a seguinte frase no inicio da receita: 

 

Amostra tecida com agulha x em ponto meia: 18 pontos x 24 carreiras = 10 cm. 

 

 

 
Afinal o que é uma amostra e para que serve esse bendito pedacinho de tricô?

 

 

Uma amostra como o nome já diz, serve para dar uma amostra de como seu fio se comporta quando tecido. 


Ela permite a você comparar se sua maneira de tricotar se aproxima ou é igual aquela que é mencionada na receita (desde que usado o mesmo fio e agulhas).

 

Trocando em miudos: as receitas sugerem  trocar as agulhas para mais 
grossas se sua amostra ficou menor e mais fina se sua amostra ficou maior.


Sou meio contra essa ideia pois muitas vezes o efeito do trabalho pode ficar comprometido. Ora molenga e esburacado, ora duro como um tapete. O ideal é calcular certinho o que deve ser feito para seu tricô ficar perfeito para o seu fio e para o seu manequim, afinal gente tem medidas e essa coisa de tamanho único é um baita engodo. Só garrafa de cerveja é tudo igual!

 

Então, me mostre sua amostra e descobriremos onde você vai chegar!


Observe a ilustração a seguir para entender o 'visual' do seu ponto meia ou jersey (stocking stitch em inglês) Cada 'v' do esquema na horizontal equivale a 1 ponto. Na vertical, cada 'v' equivale a 1 carreira. Coloque a amostra na horizontal e conte os 'vs'. Para saber o seu número de pontos e carreiras em 10 cm.
 

 

 

 

Então, mãos a obra: pegue sua receita, papel e calculadora.
Separe as agulhas e o fio com o qual pretende tecer e monte cerca de 22 pontos por mais menos 30 carreiras se estiver usando fio médio, e 15 pontos por mais ou menos 26 carreiras se estiver usando fio mais grosso.


Teça no ponto mencionado na receita.


Anote quantos pontos você tem em 10 cm. Anote quantas carreiras você tem em 10 cm.
Supondo que você tenha 110 cm de busto (este valor é algo bem próximo do maquim 44; normalmente está é a medida básica usada na confecção de peças em tricô ou crochê). A metade da medida é 55 cm. Suponha que o comprimento ou altura do seu projeto tenha 60 cm.


Agora vamos às contas ( juro que não dói fazer algumas continhas básicas):


Exemplificando:

 

Sua amostra tem 18 pontos x 24 carreiras em 10cm
18 pontos = 10cm (amostra) 
Sua medida: 55cm. 


(55 cm x 18 pontos)/ 10cm = 99 pontos. Esta é a quantidade de pontos que voce deve ter na sua linha do busto, ou seja a largura da frente ou das costas do seu projeto.


O mesmo vale para o comprimento ou altura.


24 carreiras = 10 cm (amostra) 
60 cm é a altura do seu projeto. 
(60 cm. x 24 carreiras)/ 10cm = 144 carreiras no total.

 

Para cada seção da receita você vai recalcular a quantidade de pontos e carreiras.
No caso de pontos trabalhados, a sua quantidade de pontos deve ser adaptada de acordo com a execução do ponto. Se você tem um painel com tranças, por exemplo, sua amostra deve ser feita a partir deste painel.


Agora que você já entendeu como fazer e para que serve uma amostra, chegou a hora de fazer “a prova dos 9” e verificar se suas contas estão realmente certas.
Mesmo odiando matemática ela tem sua utilidade e é sua grande aliada no tricô ou crochê.


Ainda que seu corpo seja totalmente desproporcional, as figuras a seguir vão lhe mostrar onde você deve 'acertar' o que está esquisito. Na prática, você vai conferir se todas as contas que fez e estabelecer a proporção do seu trabalho em relação às suas medidas.

 

 

Para a frente e costas de blusas, casacos, coletes, etc., cada pedaço da peça tem a proporção de 1/3 da altura ou comprimento total da peça, ou 1/3 da largura total.


Para os comprimentos: o primeiro terço equivale a altura do inicio do trabalho até a cintura. O 2º terço , a medida da cintura até o início da cava. E o último terço equivale a altura da cava. Na prática: suponha que sua blusa mede 60 cm de comprimento ou altura. Cada 'pedaço' do seu trabalho deve medir 20 cm de altura.


O mesmo vale para a largura. O primeiro e terceiro terços equivalem a quantidade de pontos que você deve ter para modelar sua cava e seu ombro. No terço central, você tem a quantidade de pontos que formarão seu decote.


Para as mangas, as proporções são: punho-cotovelo, cotovelo-início da cava, encaixe da manga à cava.


Na hora de costurar sua manga à cava, vale sempre lembrar o seguinte: prenda inicialmente a manga em 3 pontos, centralizando em relação ao ombro (centro da manga = costura de união do ombro). Faça sua manga coincidir com as laterais da cava, esticando levemente o tricô se necessário.

 

Evite franzir a manga a menos que o modelo seja com manga franzida, pois o acabamento fica grosseiro.

 

Depois que você pregar as mangas, feche o restante da peça, iniciando a costura sempre pelo punho.


Enfim, na teoria tudo parece complicado e demorado, mas garanto que na prática, você vai se surpreender com o resultado. Escolha uma receita que lhe encanta, faça suas contas e 'dah, dah: aquele casaqueto maravilhoso no manequim 38, vai vestir o seu generoso 48 sem faltar ou sobrar nada. Simples assim.


Sei que muita gente a esta altura já deve ter desistido de ler porque aprender algo ou entender o que é novo ou desconhecido 'dá trabalho'.


Para quem acha que ler sobre tricô não acrescenta nada em termos de informação e aprendizado, garanto prá vocês que apesar de tricotar a mais de 40 anos, continuo buscando informação e lendo muito.

 

Continuo aprendendo coisas novas sempre.


Bom tricô e até a próxima!
 

Copywright: o texto acima é uma compilação de textos de minha autoria para o blog da Revista Manequim em 2009 e são de propriedade da Editora Abril.

 


 

 

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